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Coordenação da
Articulação Soja: ECOA, Fetraf-Sul, Fórum Carajás, Fundação CEBRAC,
Greenpeace, ICV.
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Os membros da Articulação Soja - Brasil, baseados em sua experiência e
análise dos fatos que vêm ocorrendo nas últimas décadas com a expansão do
agronegócio, em especial da soja, tanto no Brasil quanto nos países vizinhos,
expressam aqui sua preocupação com relação aos impactos ambientais, sociais
e culturais que serão provocados pela aceleração do plantio de vegetais para
a produção de combustíveis.
Em primeiro lugar, queremos lembrar os altos custos ambientais e sociais
resultante dos extensos monocultivos utilizados para a produção de matérias
primas agrícolas em escala industrial. Não é possível considerar apenas os
benefícios que o uso desses bio-combustíveis trarão à redução do efeito
estufa. A devastação provocada no meio ambiente e nas populações dos países
produtores, para sua produção, deve ser contabilizada previamente, para que
seja evitada, pois ela resultará em aumento tanto do efeito estufa quanto da
exclusão social e econômica a que essas populações são submetidas pelo
avanço do capital no campo.
A produção de agro-combustíveis não pode reduzir as áreas plantadas para o
abastecimento da população com gêneros alimentícios, pois a segurança
alimentar deve ser a primeira prioridade de qualquer governo. Então, é
essencial que o avanço dessa nova fronteira agrícola seja dirigida para
locais já desmatados, em terras que estejam sem uso ou degradadas, o que
pressupõe a realização de um ordenamento territorial emergencial e
destinação de financiamento para a sua recuperação. Não podemos admitir que
a produção de agro-combustíveis avance em terras que produzem alimentos e em
áreas com cobertura vegetal natural.
As características de produção e comercialização desses combustíveis
certamente seguirão o padrão atual de altíssima concentração, em poucas
corporações. No Brasil e na América Latina, por sua capacidade de
organização e de logística, além dos recursos técnicos e financeiros, a
Petrobrás pode assumir um papel importante no mercado de combustíveis. Sendo
uma empresa que pertence ao povo brasileiro, sua atuação deve se basear em
padrões éticos e de responsabilidade, não podendo contribuir para a
destruição do meio ambiente e das populações da região.
A redução do efeito estufa deve-se dar pela mudança nos padrões de consumo
de toda população mundial com níveis de renda mais elevados, especialmente
daquelas dos países mais ricos. Há que privilegiar e investir no transporte
público ao invés de prosseguir estimulando o uso e produção de automóveis,
quaisquer que sejam os combustíveis utilizados.
É preciso reduzir, também, o consumo excessivo de carnes entre as camadas
mais ricas da população de todos países, que já registram uma epidemia de
obesidade objeto de campanha da Organização Mundial de Saúde. Essa demanda é
que tem impulsionado o agronegócio, em especial o da soja, e provocado
grandes impactos ambientais e sociais na região.
É preocupante a contradição de um governo que fala de cuidado com o meio
ambiente e ao mesmo tempo estimula a destruição da Amazônia e do Cerrado
através do agronegócio, da mineração e da exportação de madeiras a granel,
tudo em busca de um crescimento econômico excludente e concentrador de
riquezas e de renda.
O Brasil e suas empresas podem aproveitar, sim, a oportunidade para produzir
combustíveis de base agrícola, mas de forma consciente acerca dos impactos
ambientais e sociais desse processo, respeitando as populações locais e
conservando o meio ambiente na região.
A monocultura da cana no Nordeste e Sudeste/Sul, se tem sido excelente para
donos de engenhos e usinas de açúcar e etanol, tem sido nociva aos
trabalhadores e ao meio ambiente. Isso se repete em outras regiões como o
Cerrado e a Amazônia, com monoculturas de dendê, soja e milho, e se ampliará
com a demanda de seu uso para produção de combustíveis.
É preciso não deixar se seduzir por delírios grandiloqüentes, por participar
na formações de cartéis mundiais, pois esse “novo” negócio prosseguirá nas
mãos das poucas empresas que já controlam o mercado de commodities.
Finalmente, enfatizamos que é preciso adotar políticas e processos que façam
com que a exploração de nossos recursos naturais beneficiem efetivamente as
populações do Brasil e dos países da região, com respeito ao meio ambiente o
que, na verdade, significa nos preocuparmos também com aqueles que ainda
estão por vir.
Publicado por
Articulação Soja. Reproducido en el semanario Peripecias Nº 39 el 14 de marzo 2007. Se reproduce en nuestro sitio
únicamente con fines informativos y educativos.
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