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E. Neto es periodista ambiental
brasileño, miembro de la Red de Comunicación Ambiental de América
Latina y el Caribe y de la Red Brasileña de Periodismo Ambiental.
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A segunda maior formação vegetal do Brasil é uma dos ecossistemas mais
esquecido pelo Governo Federal e pela população brasileira. Mesmo abrangendo
10 Estados, uma área equivalente a 2 milhões de km2 e apresentando duas
estações bem marcadas: inverno seco e verão chuvoso, o Cerrado é vítima de
grande ocupações agrícolas e de uma grande devastação ambiental. Com solo de
savana tropical, deficiente em nutrientes e rico em ferro e alumínio, abriga
plantas de aparência seca, entre arbustos esparsos e gramíneas e o cerradão,
um tipo denso de vegetação, de formação florestal.
Banhada
por três das maiores bacias hidrográficas da América do Sul (Tocantins-Araguaia,
São Francisco e Prata) e possuindo uma grande variabilidade biológica, a
região é historicamente lembrada pela grilagem de terra e por mega projetos
insustentáveis do Governo Federal, entre eles a Transposição do Rio São
Francisco. Mesmo sendo o único dos biomas brasileiros que faz limite com
todos os outros e, por isso, mantém o que os pesquisadores chamam, de “áreas
de tensão ecológica”, o Cerrado possui uma elevada complexidade devido a sua
megabiodiversidade. Nessa região estão os conhecimentos culturais de
camponeses, quilombolas e povos indígenas, o que já faz do Cerrado um
importante instrumento de preservação dos costumes culturais. Estes povos e
suas culturas rendem importantes contribuições para a sustentabilidade da
região.
No Congresso Nacional, é extremamente visível o descanso com a Região.
Lembramos que na região estão algumas das áreas mais pobres do país! Será
por isso? Enquanto a bandeira da Amazônia é erguida por vários
parlamentares, a bandeira do Cerrado é engavetada bem longe dos olhos da
população e do ecossistema que clamam por ajuda. Diferente da situação da
Amazônia, poucas ONGs de grande porte lutam e são escutadas pelas questões
referentes ao Cerrado.
Os projetos de lei e manifestações em favor da preservação do Cerrado são,
de longe, muito escassos. Mesmo quando manifestações em prol de uma
legislação favorável ao Cerrado foram realizadas na II Conferência Nacional
do Meio Ambiente, este ecossistema continuou esquecido pelo poder público
federal. As poucas áreas de proteção permanente existente, muitas vezes são
desrespeitadas e a fiscalização do IBAMA e de órgãos competentes é
praticamente NULA.
A partir da construção de Brasília e com a ocupação da região Centro-Oeste,
quando ocorreu um rápido deslocamento da fronteira agrícola, baseado em
desmatamentos, queimadas, usos de fertilizantes químicos e agrotóxicos, 67%
das áreas do Cerrado foram modificadas, por voçorocas, assoreamento e
envenenamento dos ecossistemas. Muitas áreas da região são desmatadas para a
criação de gado e estabelecimento de monoculturas, como a soja e o algodão.
Infelizmente, muitos dos fazendeiros ou pessoas ligadas a estes, são os
gestores das políticas públicas que abrigam o Cerrado.
Nos anos 70, o Sr. Mario Guimarães Ferri, grande pesquisador brasileiro, já
apontava para a importância de se preservar, conservar e fazer uso racional
do Cerrado. Dizia que essas ações eram de fundamental importância para a
preservação, inclusive, da Amazônia. Hoje, mesmo quando as elites políticas
reconhecem que de fato o Brasil é importante ecologicamente para o planeta e
que isso nos coloca sob diversos holofotes, o segundo maior ecossistema do
país é literalmente esquecido e devastado.
Mesmo depois de tudo isso, parece que defender o cerrado não dá status a
ninguém. Enquanto outras temáticas dão visibilidade aos olhares nacionais e
internacionais, o Cerrado continua sendo lembrando apenas por ser uma savana
seca de árvores tortas e ocupadas em sua maioria por pobres. Dentro de 30
anos, talvez a nossa conversa possa ser outra! E infelizmente o nosso
Cerrado será apenas pó de serra.
Publicado en
EcoBlog el 10 de septiembre de
2008. Reproducido en el semanario Peripecias Nº 113
el 10 de septiembre de 2008. Se reproduce en
nuestro sitio únicamente con fines informativos y educativos.
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