Peripecias Nº 47 - 9 de mayo de 2007

MUNDO

 

 

Crédito popular e desenvolvimento

 

Idalvo Toscano

 

 

 

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Importante instrumento de combate ao empobrecimento, o microcrédito alcança seus melhores resultados em presença de políticas públicas ativas; sem estas, é apenas a capilaridade do crédito tradicional com escasso efeito desenvolvimentista.

 

Contudo, acreditar que qualquer cidadão possa torna-se empreendedor de sucesso a partir do acesso a créditos, é um equívoco e uma perversa ideologia que traz implícita a concepção de que eventual fracasso decorre da incompetência do cidadão. A lógica do mercado é impiedosa e não é para iniciantes: as estatísticas indicam que menos de 30% dos pequenos empreendimentos sobrevivem ao primeiro ano e, destes, poucos vão além da renda de subsistência em seus resultados.

 

A produção popular se localiza nos bairros empobrecidos das cidades e lá tem seu mercado prioritário; são atividades de comércio de bens e de serviços que geram ocupação e renda. Uma parcela dessa produção se destina à “exportação” para os centros consumidores da classe média compreendendo, geralmente, artesanatos - rendas, cerâmicas, artigos de couro etc.

 

As políticas públicas de microcrédito deveriam estar mais atentas à peculiaridade daquelas comunidades como lócus de um novo padrão de desenvolvimento socioeconômico para o país, a ter na cultura, nas atividades econômicas, nas relações comunitárias e nas instituições locais, a base a partir da qual se deveriam produzir as ações específicas desse processo. Isso requer, contudo, vocação democrática dos governantes.

 

Todavia, o produtor popular e as comunidades empobrecidas não necessitam exclusivamente de pequenos créditos, mas de amplos serviços financeiros: esse é o divisor de água entre Programas de Microcréditos e Programas de Microfinanças.

 

No campo das microfinanças, e com foco no desenvolvimento local, preconiza-se um programa que tenha como escopo, dentre outros, os seguintes objetivos:

 

• Organizar os pequenos produtores nas atividades de geração de renda;

 

• Estimular o associativismo e o cooperativismo, mesmo que informais, como estratégia de fortalecimento e racionalização das atividades produtivas populares;

 

• Incentivar o desenvolvimento de tecnologias locais;

 

• Implementar outras atividades financeiras comunitárias - clubes de trocas, compras comunitárias, moedas locais etc.;

 

• Diversificar os serviços financeiros ofertando cartões de crédito comunitários, modalidades de seguros populares e pequenos créditos pessoais.

 

Claro que tais objetivos serão viabilizados a partir de um intenso e persistente trabalho comunitário, o que requer contínua parceria com outras entidades e órgãos de governo; é, portanto, o que denominamos de sociofinanças, coisa séria demais para ser tratada com visão tecnicista.

 

Publicado en el periódico "Correio da Paraíba", 8 de mayo 2007. Reproducido en el semanario Peripecias Nº 47 el 9 de mayo de 2007. Se reproduce en nuestro sitio únicamente con fines informativos y educativos.

 

 

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