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Importante instrumento de combate ao empobrecimento, o microcrédito alcança
seus melhores resultados em presença de políticas públicas ativas; sem
estas, é apenas a capilaridade do crédito tradicional com escasso efeito
desenvolvimentista.
Contudo, acreditar que qualquer cidadão possa torna-se empreendedor de
sucesso a partir do acesso a créditos, é um equívoco e uma perversa
ideologia que traz implícita a concepção de que eventual fracasso decorre da
incompetência do cidadão. A lógica do mercado é impiedosa e não é para
iniciantes: as estatísticas indicam que menos de 30% dos pequenos
empreendimentos sobrevivem ao primeiro ano e, destes, poucos vão além da
renda de subsistência em seus resultados.
A produção popular se localiza nos bairros empobrecidos das cidades e lá tem
seu mercado prioritário; são atividades de comércio de bens e de serviços
que geram ocupação e renda. Uma parcela dessa produção se destina à
“exportação” para os centros consumidores da classe média compreendendo,
geralmente, artesanatos - rendas, cerâmicas, artigos de couro etc.
As políticas públicas de microcrédito deveriam estar mais atentas à
peculiaridade daquelas comunidades como lócus de um novo padrão de
desenvolvimento socioeconômico para o país, a ter na cultura, nas atividades
econômicas, nas relações comunitárias e nas instituições locais, a base a
partir da qual se deveriam produzir as ações específicas desse processo.
Isso requer, contudo, vocação democrática dos governantes.
Todavia, o produtor popular e as comunidades empobrecidas não necessitam
exclusivamente de pequenos créditos, mas de amplos serviços financeiros:
esse é o divisor de água entre Programas de Microcréditos e Programas de
Microfinanças.
No campo das microfinanças, e com foco no desenvolvimento local,
preconiza-se um programa que tenha como escopo, dentre outros, os seguintes
objetivos:
• Organizar os pequenos produtores nas atividades de geração de renda;
• Estimular o associativismo e o cooperativismo, mesmo que informais, como
estratégia de fortalecimento e racionalização das atividades produtivas
populares;
• Incentivar o desenvolvimento de tecnologias locais;
• Implementar outras atividades financeiras comunitárias - clubes de trocas,
compras comunitárias, moedas locais etc.;
• Diversificar os serviços financeiros ofertando cartões de crédito
comunitários, modalidades de seguros populares e pequenos créditos pessoais.
Claro que tais objetivos serão viabilizados a partir de um intenso e
persistente trabalho comunitário, o que requer contínua parceria com outras
entidades e órgãos de governo; é, portanto, o que denominamos de
sociofinanças, coisa séria demais para ser tratada com visão tecnicista.
Publicado en el periódico "Correio
da Paraíba", 8 de mayo 2007.
Reproducido en el semanario
Peripecias Nº 47 el 9 de mayo de
2007. Se reproduce en nuestro sitio únicamente con fines informativos y
educativos.
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